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Diretoria Cajaarte

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Presidente - Evanir Borges

História do Cajaarte

Em 2008 foi criado o projeto CAJAARTE com um grupo de jovens da comunidade a partir de uma das ações sociais como o da Estação Digital, que tinha 60 jovens que mensalmente faziam parte dos cursos de informática.

 

Por meio da Estação Digital acontecia várias formações de cidadania com o intuito de trazer a paz para comunidade contra a violência. O ideal do projeto CAJAARTE está o seu slogan: a paz é a gente que faz!

 

A proposta de criar um projeto social contra a violência surgiu com várias ideias, mas o carro-chefe foi a parceria com as instituições de ensino com o convite para as diretoras das escolas para contar com a participação de órgãos públicos em nível municipal, estadual e federal.

 

Estes órgãos assumiram um compromisso de levar o projeto CAJAARTE para as escolas com a realização de atividades como palestras, oficinas e serviços essenciais.

 

Os parceiros do CAJAARTE contribuem de forma voluntária e oferecem às crianças e aos adolescentes informações essenciais para o desenvolvimento deles.

 

A Polícia Militar ministra palestras contra as drogas enquanto que a equipe do DETRAN apresenta informações sobre educação no trânsito. O tema do planejamento familiar é de responsabilidade das secretárias de saúde e da pobreza. Outros assuntos para a formação dos jovens são abordados pelos profissionais da Delegacia do Trabalho, Ministério Público, Delegacia da Mulher, Delegacia dos  Adolescentes, além das atividades culturais aos fins de semana nas escolas, com a realização da Ação Global em praças públicas, que leva todos os serviços públicos e da rede provada para perto da comunidade.

 

Em 2016, o CAJAARTE deu um passo importante para o seu crescimento, quando reuniu os artistas das comunidades e resolveu registrar o projeto em uma instituição jurídica. O objetivo com isto foi dar mais credibilidade ao CAJAARTE para buscar os projetos sociais e conseguir mais benefícios para a comunidade como educação de qualidade, saúde para todos, meio ambiente, segurança e cultura.

 

Ao longo dos anos, o CAJAARTE vem realizando vários cursos com as temáticas do meio ambiente; inglês, em parceria com uma ONG internacional; escolinha de futebol, curso de música, teatro, coral, banda musical, além do curso de bombeiro mirim.

 

No ano de 2019, a proposta do CAJARTE foi aprimorar os cursos nas áreas de música, dança, arte, capoeira, karatê e artesanato, para facilitar ainda mais a participação maior dos jovens no projeto, sempre com o objetivo de dizer não à violência.

 

Com o crescimento do CAJAARTE foi preciso apresentar o projeto social e cultural ao   poder público como também as instituições privadas para financiar ou dar uma ajuda de custo para os artistas profissionais que participam das atividades promovidas pelo CAJAARTE nas escolas ou até mesmo nas aulas de arte e cultura.

Fruto dessas parcerias, no ano de 2019, por exemplo, aconteceu um concurso de música e dança, em que mais de 300 grupos de jovens talentos participaram do evento. Três anos depois, outro marco na história do CAJAARTE foi a realização de um projeto de arte e cultura social na Praça de Alimentação do Shopping Cajazeiras, que contou com a participação de mais de 80 artistas e talentos da comunidade.

Biografia de Evanir Borges, idealizador do Cajaarte

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Evanir Borges de Araújo, nascido em 7 novembro de 1955, na Fazenda Natal, município de Catu.

 

      Evanir relembra que desde cedo na Zona Rural catuense já se envolvia com causas sociais para beneficiar a coletividade. “Fui criado com a minha família, produtor rural, no munícipio de Catu. Fui criado na fazenda [Natal], trabalhando na roça da propriedade de meu pai. Aos quatorze anos, participei de um movimento de combate à pescaria irregular com bomba e remédio jogados no Rio Pitanga da fazenda, e matando os peixes”.  

 

Ele explica que foi preciso tomar uma atitude em relação à pesca irregular na fazenda. “Reunimos os moradores locais, fizemos uma eleição para quem fosse o mais votado, seria o responsável de fiscalizar a pescaria irregular por que muitos pescadores saíam de Salvador para pescar na fazenda”, explica. Naquela ocasião, uma eleição foi realizada entre os moradores e Evanir foi eleito com trezentos votos de frente em relação ao segundo colocado, e com o resultado ficou à frente do movimento de combate à irregularidade dos pescadores. “Conseguimos acabar com a pescaria irregular, o que foi uma grande vitória para o meio ambiente”, relembra Evanir.

 

   

Aos dezoito anos, uma mudança importante em sua vida, quando passou a morar na cidade de São Sebastião do Passé, Região Metropolitana de Salvador, no loteamento Agostinho Amaral. “Lá já tinha uma comunidade de mais de mil famílias, que moravam sem nenhum saneamento básico, água encanada, rede de esgoto, muito menos abertura de ruas para os moradores”. 

 

    Então, Evanir e os seus colegas de emprego começaram a trabalhar na empresa Paskim, localizada na cidade de Candeias, Região Metropolitana de Salvador, e aos fins de semana começaram a realizar abaixo-assinados com os moradores,  que  solicitavam  das autoridades as providências, como a abertura das ruas, colocação de postes de iluminação para colocar a energia nas residências, rede de esgoto. E toda a mobilização valeu a pena, pois os benefícios solicitados foram concretizados.

 

      No ano de 1982, com a campanha política para a prefeitura de São Sebastião do Passé, o candidato vitorioso Jacildo Mesquita chamou Evanir antes para assumir um compromisso com o bairro. “Ele permitiu que eu fizesse um comício em que eu apresentasse a nossa proposta e que, caso ele fosse eleito, ele realizaria o prometido”.

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E o político cumpriu a palavra, realizou o calçamento das ruas do bairro, colocou água encanada, “tudo isso foi realizado através da nossa luta unida com a comunidade”, recorda.

        Evanir Borges havia feito o antigo Mobral para completar o ginásio completo, hoje Ensino Fundamental. E, mais uma vez, retornou para a sua cidade natal Catu no final de 1983. Lá, abriu um restaurante, que funcionou durante seis meses, para em seguida se mudar para Salvador.

     Na capital baiana, Evanir foi morar no bairro da Liberdade, lugar que conheceu Marina de Castro Santos, com quem se casou. No ano de 1984, o casal foi morar no bairro de Cajazeiras X.

     No bairro, por meio de um conhecimento com a deputada estadual Abigail Feitosa (1933-1991), o assessor da parlamentar, Paulinho Vieira, convidou Evanir para fazer parte da comissão de transporte da FABS de Salvador, um movimento a favor da melhoria do transporte no bairro. “Era o maior sofrimento para quem morava em Cajazeiras, com muita dificuldade. Às vezes íamos andando até a cidade para trabalhar”.

        Foi então que com essa demanda do transporte surgiu o pedido para fundar um conselho de moradores do conjunto de Cajazeiras X. “Começamos a chamar outros moradores de outros conjuntos para se unirem pela luta dos transportes. Conseguimos fazer o primeiro seminário de transporte em setembro de 1985, na Fundação Bradesco de Cajazeiras X”. Moradores de vários conjuntos habitacionais da região de Cajazeiras discutiram no seminário o problema do transporte, que contou com a participação de mais de trezentas pessoas.

       Os primeiros resultados surgiram, eles conseguiram uma linha direta de Cajazeiras X ao Centro da cidade, como também foi colocado um micro-ônibus que pegava passageiros de outros conjuntos e traziam até Cajazeiras X para pegar o ônibus direto.

       “Começamos a organizar os moradores em vários grupos para brigar pela criação de uma linha direta [sem a necessidade do micro-ônibus] e foi a partir desse movimento que criaram mais linhas para o bairro”, conta Evanir.

       Vários seminários foram realizados. No ano de 1986 foi criada o Terminal EVA, “que era uma garagem de ônibus, que foi piorando cada dia mais com a chegada de novos moradores no conjunto das Cajazeiras”, afirma. Por fim, com a construção do terminal de integração, Estação Pirajá, eles conseguiram mais linhas e o sofrimento dos moradores foi amenizado.

       Outro ponto importante na trajetória de Evanir Borges, nos anos oitenta,  já  como  presidente  do  Conselho  de  Moradores de Cajazeiras X, foi quando conseguiu unir todas as lideranças comunitárias e movimentos sociais para realizar um seminário na luta pela melhoria da estrutura de Cajazeiras, em que reivindicavam a construção de um hospital, uma maternidade, um posto de saúde e uma agência dos Correios, dentre outras ações.

    Em 1987, um dos eventos mais marcantes realizado pelo Conselho de Moradores de Cajazeiras X foi a audiência pública, no antigo Centro de Convenções da Bahia, quando cerca de trezentas famílias estiveram presentes para debater o Projeto Vida Própria para as Cajazeiras. O então presidente da empresa de economia mista, a Habitação e Urbanização da Bahia, a antiga URBIS, Renato Veloso, mais o presidente da Caixa Econômica Federal, Maurício Viotti, compareceu naquele evento, que um dos pleitos era para derrubar a licitação pública dos lotes comerciais em todas as Cajazeiras e adjacências.

       O pleito foi aprovado pelo Conselho da Urbis, que dava direito a empresa a vender os terrenos diretamente para as pessoas que já tinham ocupado o lote para área comercial. “Aquela nossa luta beneficiou a Bahia toda. Aonde tinha Urbis, todos passaram a ter esse direito, que eram de até mil metros quadrados”, comemora Evanir Borges.

   A força do movimento, encabeçado por Evanir Borges, continuava nos idos dos anos noventa a realizar outros seminários para discutir outras obras de infraestrutura para o bairro de Cajazeiras, como os centros comerciais, bancos, cartórios, farmácias, supermercados, e até mesmo a Cesta do Povo.

       Em 1992, o Conselho de Moradores de Cajazeiras organizou uma assembleia geral com todas as lideranças comunitárias, para a fundação da União das Associações de Moradores, uma entidade representativa das Cajazeiras e adjacências. “Foi aí que movimento cresceu em todas as Cajazeiras, na realização de seminários e audiências públicas com todas as comunidades, foi a partir daí “que conseguimos uma vitória muito grande de transformar Cajazeiras em vida própria”, resume Evanir.

        A luta sempre continuou para o idealista Evanir, na construção de escolas, creches para as crianças, áreas de lazer. Um dos feitos celebrado por ele foi quando conseguiu transformar um barracão da Urbis em uma escola comunitária, já com a visão de ter cursos profissionalizantes para os jovens. “Hoje, temos o Colégio Estadual Dona Mora Guimarães, que foi uma luta para conseguir esse colégio para colocar as crianças e os adolescentes para estudar”, diz.

    O ano de 2008 foi histórico com a criação do projeto CAJAARTE de combate à violência. A época, o principal motivo era pelos altos índices de violência no bairro de Cajazeiras.  E, hoje, de acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) é um dos menos violentos, “por este motivo será importante a união de todos na luta social para que possamos conseguir realizar mais ações em Cajazeiras para melhorar ainda mais estes números’’, projeta Evanir Borges.

         Naquele ano do início do CAJAARTE, Evanir lembra de uma audiência com o Secretário de Segurança Pública, que a época passou um relatório sobre a violência do bairro de Cajazeiras. Em 2019, os índices de violência pontuados no bairro diminuíram consideravelmente quando comparados aos do ano de 2008. “A criminalidade caiu mais de 60% do que era, porque a gente buscou [colaborar para estes números], mas não é só a gente, é todo mundo fazer um pouco”, pontua.

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